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Sempre fui fã do jornalista Leão Serva, um dos idealizadores da obra “Como Viver em São Paulo sem carro”. A crônica de Serva, expressa o sentimento de todos aqueles que amam uma cidade limpa, urbanística e a civilidade. Leiam abaixo e pensem nas palavras do jornalista, que fazem as nossas palavras:

#MalditaPropagandaEleitoral
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A lei Cidade Limpa foi implantada em São Paulo em 2007, aprovada pela unanimidade menos um dos vereadores paulistanos. Obteve imediatamente imenso apoio popular.

É, por isso, chocante ver políticos que participam da corrida eleitoral de 2014, depois de sete anos de vigência da lei, emporcalharem a cidade sem nenhum escrúpulo.

Pior ainda: vereadores que votaram a favor da lei, agora concorrendo a deputado, sujam a cidade, como Floriano Pesaro (PSDB) e Jooji Hato (PMDB). Há também políticos ditos ambientalistas poluindo o visual, como Bruno Covas (PSDB) e William Woo (PV). Ou candidatos do partido do ex-prefeito Kassab (PSD), autor da lei Cidade Limpa, como Walter Ihoshi. Há até placas com foto de José Serra (PSDB), entusiasta da lei que eliminou a poluição da propaganda na cidade. Cito apenas alguns. Há reclamações sobre diversos outros casos e nomes em toda a cidade.

Alguns poderão dizer que o pleito é regido por leis federais e o veto à publicidade externa é municipal. Sim, mas em respeito à vontade do cidadão paulistano, os candidatos à eleição de 2010 se contiveram. Políticos podem alegar, ainda, que não controlam tudo que acontece na campanha. Tanto pior: se não comandam sua equipe, como dirigirão o país?

Há ainda duas questões importantes a considerar. A primeira delas é a imoralidade: os cavaletes com a imagem dos políticos custam dinheiro. É natural ver em sua invasão um sinal de abuso econômico.

O segundo aspecto é a burrice. Os publicitários sabem (talvez não contem a quem os contrata) que esse tipo de propaganda não tem efeito. Ela emporcalha a cidade, estragando ainda mais o visual de nossas ruas, mas o eleitor não as vê, lê ou memoriza. Ninguém para no trânsito para anotar o número do político. Ao contrário, talvez até se irrite com a profusão de imagens repetitivas, que parecem sempre os mesmos retratos mal produzidos com idênticos sorrisos amarelos. Só quem se beneficia com elas são as gráficas.

Diferente do que a publicidade objetiva, ela não convence eleitores. Aquele que vota consciente não escolhe candidatos por mera sugestão propagandística, semelhante à publicidade de sabonete. O eleitor informado escolhe o seu representante através das suas propostas, chapa política, confiabilidade, etc.

E quem não vota consciente também não é influenciado por placas espalhadas pelas ruas aleatoriamente. Há muitas formas de atingi-lo e conquistá-lo. Nenhuma delas inclui os cavaletes que invadiram as calçadas.

É inclusive chocante notar que tantos políticos, candidatos a ocupar postos de representação da sociedade, não entenderam nada sobre como a sociedade vive e se comunica hoje.

Por qualquer critério que se adote para avaliar eficiência em comunicação, cavaletes e placas que sujam o visual da cidade não são considerados eficientes. Foi por isso, também, que as principais agências de publicidade logo aceitaram a lei Cidade Limpa. Essa é a razão por que, mesmo nas cidades vizinhas a São Paulo (onde a lei não foi adotada), os grandes anunciantes, que se preocupam com eficiência, não usam outdoors.

O mundo mudou e os políticos não viram. Ou talvez sejam mais espertos e usem essa publicidade para outro fim: acostumar a cidade à ideia de que a Lei Cidade Limpa morreu. A prefeitura já não fiscaliza as ruas desde janeiro de 2013. A campanha viria para jogar a pá de cal na regra.

Uma forma de evitar isso é recusar o voto aos políticos que sujam a cidade com publicidades de formatos proibidos por aquela lei.

Publicado no Jornal Folha de São Paulo

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